Este projeto foi desenvolvido com os
alunos do Ensino Fundamental II, tendo a temática central a Consciência da
importância do Negro na constituição e identidade da nação brasileira e
principalmente, o respeito à diversidade humana e a quebra do racismo e do
preconceito.
Teve como objetivo principal favorecer o
desenvolvimento da expressão corporal, oral e cultural dos alunos, por meio das apresentações de dança, teatro
e exposição de maquetes confeccionadas pelos próprios
alunos da Unidade Escolar e a apresentação do grupo de Capoeira do Município de
Emilianópolis, promovendo assim a valorização da cultura. Para complementar o
objetivo central, foram selecionados os seguintes objetivos específicos:
- Valorizar a cultura negra
e seus afrodescendentes e afro-brasileiros, na escola e na sociedade;
- Redescobrir a cultura negra,
embranquecida pelo tempo;
- Desmitificar o preconceito relativo
aos costumes religiosos provindos da cultura
africana;
- Trazer à tona, discussões
provocantes, por meio das rodas de conversa, para um posicionamento mais crítico frente à realidade social em
que vivemos;
- Promover o conhecimento e integração da turma.
Mediante aos objetivos propostos, os estudantes elegíveis aos serviços da Educação Especial
também participaram e se envolveram nas realizações de trabalhos
como: Pinturas/ Releitura do livro “Menina
Bonita do laço de fita, Livro escrito por Ana Maria Machado”. Tivemos a
apresentação da dança da música “Waka Waka - Shakira” com as estudantes do 6º e
7º anos. No Ambiente da Sala de Leitura, fizemos uma demonstração de livros
relacionados ao tema como forma de cativar o gosto/prazer pela leitura,
cartazes sobre conscientizações e o respeito, confecção de maquetes acerca do
tema “Zumbi dos Palmares”.
Para que o trabalho se concretizasse
significativamente, os professores envolvidos (Istella, responsável pelo Ambiente da Sala de Leitura; Melissa
Cabrini de Araujo,
de Língua Portuguesa; Ana Carolina Rosa,
Professora Auxiliar; Graziela da Sala de Recursos; Rita de História; Vinícius,
de Geografia) no projeto contaram com
o apoio e parceria da diretora Vanda Leila Armínio Zampieri e a CGP Érica Gois
Nicochelli.
A equipe gestora
parabeniza a todos os envolvidos direta e indiretamente no consecução do projeto e reitera que para que ações como estas
devem ocorrer ainda mais no ambiente de modo que permite aos estudantes
compreender os sentidos, os conceitos e significados das situações vivenciadas
de forma prazerosa e se sintam mais conscientes da função social que cada um
deles tem no mundo que vivemos.
Professoras
Ana Carolina, Melissa,
Istella acompanhadas das estudantes do 6º e 7º
anos Representação da música “Waka Waka” - Shakira
Apresentação
da música “A carne” de Elza Soares
CGP Érica
e estudantes Tiffany
e Maria Eduarda do 6 ano A (Leitura
de textos sobre
a Consciência Negra)
Convidados - Grupo de Capoeira,
de Emilianópolis
Atividades - 1ª série A
Os estudantes da 1ª série A assistiram juntos trechos do documentário “Consciência
negra” da Rádio TV justiça e debateram a importância dessa data para uma sociedade composta de 56% de negros
e que ocupam apenas 4% de cargos de liderança no Brasil.
Posteriormente discutiram a relação entre desigualdade racial
e desigualdade social,
segundo Milton Santos, um dos maiores geógrafos do Brasil.
Trecho do texto discutido
em sala (SANTOS, 1998, p. 155):
“A
herança nos traz, num País como o Brasil, um modelo cívico subalterno ao modelo
econômico. Sempre foi assim. Em todos os tempos, o modelo econômico subordina o
modelo cívico, basta ver agora as crises da economia
brasileira e a palavra de ordem, dita de cima, segundo
a qual quem não está
de acordo está contra o Brasil, e a frase, dita até nas oposições, segundo a qual temos que ajudar
o modelo. Isso está ligado a esse peso do modelo econômico em oposição ao
modelo cívico. Creio
que a história dos negros teria muito a lucrar se fosse reescrita a partir de
uma visão que propusesse uma nova escrita com base na questão do modelo cívico.
A
subalternidade do modelo cívico atrofiou, por exemplo, o debate da previdência
no Brasil, assim como atrofia o debate da questão da função pública.
Esse debate se empobreceu no Brasil porque
se pede aos velhos que cuidem
de si próprios, e a sociedade aceita essa demanda
hedionda, facilitando a instalação entre nós do projeto segundo
o qual os brasileiros assistirão tranquilamente ao genocídio da população – porque é isso que
se está preparando. O
abandono programado dos velhos, o abandono programado dos pobres, o abandono
programado dos negros são três genocídios que
estão inscritos no processo político
atual e para o qual as vozes dos partidos de oposição são praticamente nulas, porque aceitam o
debate nos termos em que está colocado.”
Segundo Milton Santos, essa relação não pode ser separada, pois 67% das periferias no Brasil são compostas de negros e com o Brasil possuindo 280 bilionários e nenhum negro.
Para
finalizar esse debate, foi levantado como resolver essa dinâmica de negros
serem maioria no Brasil e mesmo assim ser minoria em universidades e cargos de liderança e a solução
mais evidenciada pelos alunos
foi o sistema de cotas e para
sistematizar a aula, bem como o debate, foi apresentada a música “cota não é
esmola” da cantora Bia Ferreira.
Referências:
Bia Ferreira – Cota não é esmola - https://www.youtube.com/watch?v=QcQIaoHajoM
Consciência negra - https://youtu.be/wbNv--cnkAA?si=vxUSesnHiwQ_S6L2
Milton Santos e questão do negro e o racismo https://professor.ufrgs.br/dagnino/book/export/html/6619
Texto elaborado pela escola.
Parabéns a todos os envolvidos!
PEC - Fábia Cristina